01 · CaseSympla2025 — 2026

IA da Sympla — Identidade e Voz.

Como projetei o sistema de linguagem e comportamento das IAs B2B e B2C da Sympla.

Voice Design/AI Content Design/UX Writing/Content Strategy/Documentação Técnica/
01Cenário

A Sympla estava construindo dois sistemas de IA conversacional com públicos completamente diferentes — e uma única voz precisava sustentar os dois. No início, existia inclusive a possibilidade de tratar as IAs como produtos independentes; foi uma discussão real no time antes de a arquitetura ser definida.

B2B01

IA integrada ao Dashboard do Evento, voltada a produtores.

B2C02

Ingressinho, IA voltada a compradores de ingressos.

Tensão03

Dois produtos, dois públicos, dois contextos — uma única marca atrás de tudo.

02O que começou a quebrar

Sem critérios claros de comportamento, cada interação podia soar como uma IA diferente.

  • T.01Rapidamente ficou claro que escrever respostas melhores, sozinho, não resolveria o problema.
  • T.02IAs que improvisam quando não sabem terminam prometendo o que não podem cumprir — e isso destrói a confiança exatamente nos momentos mais críticos.
  • T.03Em cenários sensíveis ou ambíguos, a inconsistência entre respostas é percebida muito antes de qualquer erro de copy.
  • T.04Antes de definir como a IA fala, precisávamos definir como ela decide — e isso virou o ponto de partida do projeto.
03Decisão central

No início, existia a possibilidade de tratar as duas IAs como produtos completamente independentes. Mas isso criaria um problema de consistência de marca difícil de sustentar no longo prazo. A decisão acabou sendo construir um único personagem, com comportamentos diferentes dependendo do contexto.

Arquitetura
Um personagem único · dois modos de operação contextual.
Modo Produtor — B2BM.01

Consultor analítico.

Interpreta dados do evento, contextualiza desempenho e orienta o produtor — sem decidir por ele, sem prometer resultados, sem afirmar mais do que os dados permitem.

Modo Comprador — B2CM.02

Assistente resolutivo.

Resolve a dúvida do comprador da forma mais rápida e clara possível. Quando não consegue, encaminha para o lugar certo sem frustrar.

04Sistema de comportamento

Cinco camadas que descrevem como a IA decide o que dizer — antes de escrever qualquer resposta. Algumas dessas camadas só apareceram depois de testar cenários que não tínhamos previsto na primeira versão do sistema.

  1. 01

    Identidade e valores compartilhados

    Quatro princípios inegociáveis com ordem de prioridade explícita para situações de conflito. Segurança e veracidade vem antes de empatia. Clareza vem antes de brevidade.

  2. 02

    Classificação de intenção em sete tipos

    Informacional, procedimental, transacional, emocional, exceção de regra, fora de escopo e sensível. Cada categoria determina estrutura, tom e profundidade da resposta.

  3. 03

    Escala de empatia em cinco níveis

    De dúvida simples sem marcador emocional até humanidade total em casos de saúde, morte ou emergência.

  4. 04

    Política de incerteza

    Uma das preocupações centrais era evitar comportamento improvisado. Definimos regras explícitas para cenários de baixa confiança: em determinados casos, a IA simplesmente não responde — assume o limite e redireciona.

  5. 05

    Sistema de transbordo em camadas

    IA → Árvore de Decisão → Humano. Gatilhos por criticidade, biblioteca de frases de transbordo por contexto e protocolo de handoff para atendimento humano.

FIG. 01Stack de comportamento · spec internav0.6 · spec
Recorte da especificação técnica usada pelo time de engenharia para montar o system prompt. Cada camada é uma decisão obrigatória antes da resposta ser composta.
05Arquitetura do trabalho
  1. 01Etapa 1 / 5

    Pesquisa e enquadramento

    Mapeei diferenças entre os dois públicos, contextos de uso, tipos de dúvida e nível de risco envolvido em cada superfície. Boa parte do tempo foi gasto entendendo onde os contextos divergiam de verdade — e onde só pareciam divergir.

  2. 02Etapa 2 / 5

    Decisão de arquitetura

    A primeira versão considerada eram duas identidades separadas. Voltamos atrás depois de simular respostas lado a lado e perceber que a fragmentação de voz era pior que a perda de especialização.

  3. 03Etapa 3 / 5

    Sistema de comportamento

    Desenhei as cinco camadas: identidade, classificação de intenção, escala de empatia, política de incerteza e transbordo. A camada de incerteza foi a que mais mudou ao longo do processo.

  4. 04Etapa 4 / 5

    Especificação técnica

    Traduzi o sistema em documentos diretamente utilizáveis por engenharia na construção dos system prompts. Ajustes vieram conforme o time técnico testava casos reais.

  5. 05Etapa 5 / 5

    Casos de borda e transbordo

    Mapeei exceções, situações sensíveis e bibliotecas de frases para handoff humano em cada modo — muitos só surgiram nos testes, não no desenho original.

FIG. 02Árvore de transbordo · branch sensívelv0.4 · 7 intents
Diagrama de decisão para transbordo da IA para atendimento humano. Os gates de confiança foram introduzidos depois que testes mostraram que improviso causava mais ruído do que valor.
06Decisões de design

Como organizamos o sistema de comportamento.

Cinco decisões que vieram da prática — cada uma respondendo a algo que apareceu nos testes ou nas conversas com engenharia.

01

Um personagem, dois modos

Considerar identidades separadas era tentador pela especialização, mas fragmentaria a marca em duas vozes. Modos de operação preservam coerência e permitem comportamento contextual sem quebrar consistência.

02

Pensar antes de falar

Definir como a IA decide o que dizer veio antes de definir como ela fala. Sem decisão estruturada, voz vira improviso na primeira pergunta que sai do roteiro.

03

Prioridade explícita entre princípios

Princípios inegociáveis só funcionam se há ordem clara para o conflito. Segurança vence empatia. Clareza vence brevidade. Sem isso, cada decisão vira discussão.

04

Incerteza como comportamento, não como copy

Faixas de confiança com comportamento obrigatório. Em determinados casos, a IA simplesmente não responde — assume o limite e redireciona.

05

Documentação para engenharia, não para gaveta

Entreguei especificações técnicas, não diretrizes editoriais. O sistema foi projetado para virar system prompt, não slide de apresentação.

07O que foi entregue
  • 01

    Guia de Identidade e Voz B2B

    DocumentoPrincípios, tom e padrões para o Modo Produtor.
  • 02

    Guia de Identidade e Voz B2C

    DocumentoPrincípios, tom e padrões para o Modo Comprador.
  • 03

    Especificação Técnica B2B

    EspecificaçãoCamadas de decisão prontas para virar system prompt.
  • 04

    Especificação Técnica B2C

    EspecificaçãoCamadas de decisão prontas para virar system prompt.
  • 05

    Transbordo e Casos de Borda B2B

    PlaybookGatilhos, frases e protocolo de handoff humano.
  • 06

    Transbordo e Casos de Borda B2C

    PlaybookGatilhos, frases e protocolo de handoff humano.
08O que mudou no processo

O que precisou existir para a IA funcionar em dois contextos diferentes.

DocumentosK.01
6
CamadasK.02
5
IAsK.03
2
  • I.01Sistema de linguagem completo para duas IAs distintas, com documentação técnica utilizada diretamente por engenharia.
  • I.02Framework de comportamento adotado como base para o desenvolvimento dos system prompts em produção.
  • I.03Time de produto passou a ter critérios concretos para decisões de linguagem em contextos de IA — antes eram discutidas caso a caso.
  • I.04Primeiro projeto de AI Content Design estruturado na Sympla, abrindo precedente para projetos posteriores na área.